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Terça-feira, 30 de Junho de 2009

Capital deverá ter temperaturas mais baixas durante a semana


O céu escureceu na tarde de ontem em Porto Alegre. O sol, que esteve presente durante a manhã e no início da tarde, foi encoberto por nuvens carregadas. Por volta das 16h20min uma forte precipitação ocorreu na cidade. A chuva, porém, não durou muito tempo, e sua ocorrência se manteve através de fortes pancadas isoladas durante o resto do dia.

No Estado, os fortes ventos fizeram com que mais de cem mil residências ficassem sem energia elétrica, cerca de 65 mil somente nas áreas de concessão da RGE. Em Santa Maria, área da AES Sul, em torno de 5,7 mil clientes ficaram sem energia elétrica. Em Passo Fundo, os ventos chegaram a 90km/h. Em Rio Grande houve queda de granizo. Em Santo Ângelo, árvores foram derrubadas e o Centro da cidade ficou sem luz por cerca de uma hora.

A instabilidade associada à uma frente fria terá passagem rápida por Porto Alegre e uma massa de ar seco e frio começa a ingressar hoje na Capital, garantindo o retorno do sol. Conforme a MetSul Meteorologia, o dia ainda começa com chuva, mas a nebulosidade diminui e o sol aparece. A temperatura fica entre 16 e 18 graus, mas cai acentuadamente no fim da tarde, devendo a mínima ficar em 10 graus. Segundo a Metsul, as madrugadas de amanhã, quinta e sexta devem ser frias na Capital.

Para o Rio Grande do Sul, a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é de uma terça-feira nublada com pancadas de chuva e trovoadas no Norte e no Nordeste. As temperaturas devem variar entre seis e 20 graus. Amanhã o dia permanece nublado com a possibilidade de geada nas regiões Sul, Oeste e Centro. Os termômetros devem marcar entre três e 19 graus.


Fonte: JC / POA

Quinta-feira, 25 de Junho de 2009

Jornalistas manifestam revolta contra decisão do STF


Crédito: Arfio Mazzei

O tempo foi um dos aliados no manifesto realizado nesta quarta-feira, ao meio-dia, por centenas de jornalistas em Porto Alegre. A chuva que se fazia presente desde o início desta semana deu uma trégua, abrindo espaço para os profissionais demonstrarem o descontentamento em relação à decisão tomada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na semana passada. O ato, iniciado na Esquina Democrática, chegou a reunir mais de 300 pessoas entre jornalistas e demais cidadãos adeptos à causa. A maior parte era composta por jovens estudantes e alguns profissionais, inclusive, vieram do Interior.

O protesto iniciou pontualmente, mas com certa timidez. Apenas alguns presentes gritavam palavras de ordem. Mas, muitas faixas e placas indicavam que a junção não era à toa e resultaria em uma grande demonstração de que a categoria não aceita a derrubada do obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista. Em seguida, iniciou-se uma caminhada em direção ao prédio da Caldas Junior. Este foi o auge do ato, que ao longo da Rua da Praia conquistou mais participantes.

Com apitos, canudos na mão, narizes de palhaços, colheres, panelas, aventais e chapéus de cozinheiro – fazendo uma alusão à comparação de Gilmar Mendes – as palavras de ordem dos manifestantes eram: “STF, não vale nada! Jornalista sem diploma é palhaçada!”; “População, preste atenção, querem roubar teu direito a informação!” e “Vem! Vem! Vem lutar pelo diploma, vem!”, entre outras. Depois de permanecerem parados durante cerca de meia hora em frente à redação do Correio do Povo e Rádio Guaíba, a caminhada seguiu em direção ao Palácio da Justiça do Rio Grande do Sul, em frente à Praça da Matriz.

Chegando lá, os seguranças fecharam as portas na cara dos jornalistas, que não tinham a intenção de entrar e se dirigiram à Assembleia Legislativa do Estado. A partir deste momento, alguns participantes se dispersaram, pois já era perto das 14h. Na “casa do povo” foi permitida a entrada de forma organizada. Os manifestantes foram até o segundo andar e ocuparam o saguão do plenário. Sentados no chão, aguardaram para que liberasse a entrada de uma comissão na sessão para entrega de documento ao presidente da Assembleia.

O ato foi organizado pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul e pelo Núcleo de Estudantes da entidade.

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Trensurb apresenta projeto do aeromóvel

 
O Estudo de Viabilidade Urbanística (EVU) do projeto do aeromóvel que ligará a estação Aeroporto da Trensurb ao terminal do Aeroporto Internacional Salgado Filho foi apresentado ontem à prefeitura de Porto Alegre. A proposta foi entregue pelo diretor-presidente da Trensurb, Marco Arildo Cunha, ao secretário extraordinário da Copa de 2014, José Fortunati.



De acordo Fortunati, o projeto possibilitará a conexão direta do trem com o aeroporto, facilitando o acesso dos passageiros na zona Norte da Capital. "A nossa previsão é de que a obra possa estar concluída antes de 2014", comenta. 
 
De acordo com Cunha, os trabalhos terão início a partir do anúncio dos recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade pelo governo federal, o que deverá ocorrer em um prazo de 30 dias. A previsão dos técnicos da Trensurb é de que a construção comece no mês de agosto. A conclusão está prevista para ocorrer em um ano.

A linha de 854 metros será toda aérea e dois veículos farão o transporte dos passageiros. O primeiro carro transportará 150 pessoas, e o segundo, 300. O tempo de percurso será de um minuto. Segundo estudos da Trensurb, pelo menos sete mil passageiros/dia utilizarão o veículo interligado ao trem, podendo chegar a 11 mil pessoas. O custo da obra está avaliado em R$ 30 milhões. "A implantação do aeromóvel é um sonho antigo de todo o porto-alegrense", acrescenta Fortunati.

Com a entrega do EVU à prefeitura, o projeto será avaliado pelas secretarias municipais de Obras e Viação (Smov), do Meio Ambiente (Smam), do Planejamento (SPM) e pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC). 
 
As conclusões deverão ser divulgadas em um prazo de 30 a 60 dias. Segundo o diretor-presidente da Trensurb, juntamente com o metrô de Porto Alegre - Linha da Copa, o projeto faz parte do conjunto de obras que devem ser concluídas pela empresa para a Copa do Mundo de 2014.

Domingo, 14 de Junho de 2009

Má qualidade da educação freia desenvolvimento

Um artigo na edição mais recente da revista britânica "The Economist" traça um panorama da situação da educação no Brasil e afirma que a má qualidade das escolas, "talvez mais do que qualquer outra coisa", é o que "freia" o desenvolvimento do país.

Revista britânica faz critica à educação brasileira

Citando os maus resultados do Brasil no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), realizado a cada três anos pela OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a revista afirma que, apesar dos grandes investimentos e progressos em setores como política e economia, em termos de educação, o país está "bem abaixo de muitos outros países em desenvolvimento."

A publicação compara a situação brasileira à da Coreia do Sul, que apresenta bons resultados no Pisa.

"Até a década de 1970, a Coreia do Sul era praticamente tão próspera quanto o Brasil, mas, ajudada por seu sistema escolar superior, ela saltou à frente e agora tem uma renda per capita cerca de quatro vezes maior."

Sindicatos

Para a revista, entre os principais motivos para a má qualidade da educação no país está o fato de muitos professores faltarem por diversas vezes às aulas e os altos índices de repetência, que estimulam a evasão escolar.

Na opinião da "Economist", o governo precisa investir mais na educação básica. "Assim como a Índia, o Brasil gasta muito com suas universidades ao invés de (gastar) com a alfabetização de crianças."

A publicação afirma ainda que o Brasil precisa de professores mais qualificados. "Muitos têm três ou quatro empregos diferentes e reclamam que as condições [de trabalho] são intimidadoras e os pagamentos baixos."

Afirmando que, apesar da situação, os governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva conseguiram avanços --embora vagarosos-- no setor, a revista afirma que os sindicatos de professores "representam um grande obstáculo para melhorias".

"Quase qualquer coisa que atrapalhe sua paz causa greves", afirma a publicação britânica, dizendo que o sindicato dos professores do Estado de São Paulo, por exemplo, se opôs "a uma proposta que obrigava os novos professores a fazerem testes para assegurar que são qualificados."

A "Economist" defende que a receita para melhorar a educação no país seria "continuar reformando o sistema escolar, enfrentar os sindicatos dos professores e gastar mais em educação básica."

"A conquista do mundo --mesmo a amigável e sem confrontos que o Brasil busca-- não virá para um país onde 45% dos chefes de famílias pobres têm menos de um ano de escolaridade", diz a publicação. (Fonte: Folha online (6/6/2008)

De:: Agenda 2020 - O Rio Grande do Sul Que Queremos

Segunda-feira, 8 de Junho de 2009

“É impossível dizer não para o metrô”, diz Fogaça

A expressiva votação favorável à construção do metrô na Capital, que conquistou 40% dos votos da Região Metropolitana na campanha de ZH 3 Projetos para o Rio Grande, revelou o grau de ansiedade com que os porto-alegrenses esperam pela implantação dos trens subterrâneos. O prefeito José Fogaça (foto) afirma que a prefeitura busca um encontro com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, para convencer o governo federal a investir na obra. E sustenta que, se para o ano que vem não forem reservados no mínimo R$ 300 milhões, o metrô corre o risco de não ficar pronto para a Copa do Mundo de 2014. Confira um resumo da entrevista concedida, em seu gabinete, na tarde de sexta-feira:


Zero Hora – Como o senhor viu a expressiva preferência de 40% dos votos da Região Metropolitana pelo metrô de Porto Alegre? Já esperava essa predileção?

José Fogaça – O fato é que ele dá um status para uma cidade. É muito difícil alguém que, em comparação com outra obra, não escolha o metrô. É impossível dizer não para o metrô. Também evidencia a importância dessa obra. O metrô é necessário independentemente da Copa do Mundo, mas ela é uma boa motivação para a gente se empenhar.

ZH – Mas se sabe que a obra depende do governo federal. O que a prefeitura pretende fazer?

Fogaça – Temos que unir forças na cidade, no Estado, para fazer valer o peso político de Porto Alegre e fazer pender para cá os investimentos. Nós temos vários argumentos. A Copa é um. Outro é que o governo federal não irá gastar com os parques esportivos da cidade. Com isso, cria-se até uma obrigação do governo federal, uma necessidade indiscutível de contrapartida do governo federal de realizar uma obra de peso.

ZH – Já há encontro agendado entre a prefeitura e o governo federal?

Fogaça – Estamos tentando promover um encontro com a ministra Dilma para definir com ela as nossas obras estratégicas. Se a gente pensa na Copa, é necessário que, no mínimo, se prevejam R$ 300 milhões para o ano que vem, para elaboração do projeto e o início da obra. Tem de ser no mínimo R$ 300 milhões por ano, ou até mais do que isso, para ficar pronto até 2013. Mas o grande estrangulamento da cidade em termos de transporte público está na direção da Farrapos com Assis Brasil. E só será solucionado com reforma profunda no nosso sistema de transportes.
ZH – O senhor se refere aos Portais da Cidade?

Fogaça – Os portais fazem parte, mas são muito mais baratos. Não custarão mais do que R$ 170 milhões. Isso nós vamos fazer, a prefeitura vai fazer.

ZH – Não há concorrência com o projeto do metrô?

Fogaça – Não há contradição nenhuma, porque as fontes de recursos são bem distintas, uma não atrapalha a outra. Não vamos usar recurso do metrô para os portais, nem dos portais para o metrô.

ZH – O secretário de Mobilidade Urbana reclama de boicote da União para conceder aval ao empréstimo para os portais. O senhor crê nisso?

Fogaça – Não quero acreditar que seja, mas, às vezes, é a impressão que dá. Com dois adiamentos, a gente começa a desconfiar. Um projeto não impede o outro. Os portais serão feitos com recursos da prefeitura, e o metrô, do governo federal. Só os portais não resolvem, e só o metrô não resolve. Mas a gente não pode imaginar que vai fazer obras apenas com discurso, tem que ter recursos substantivos, reais, sem trocadilho, e em velocidade razoável.

ZH – E sem isso?

Fogaça – Eu não perco a esperança, vamos continuar lutando. Mas, se não tivermos recurso em 2010, o metrô não será para a Copa.

Fonte: ZH on line

Sábado, 30 de Maio de 2009

A epidemia do crack assola o Estado

O Rio Grande do Sul foi assolado por uma epidemia de crack, a droga que escraviza em segundos, zomba das esperanças de recuperação, corrói famílias, mata mais do que qualquer outra e afunda os dependentes na degradação moral e no crime.

Em uma série de reportagens publicada em julho de 2008, Zero Hora mostrou como a fúria com que a pedra atingiu o Estado espalha sinais devastadores por toda a parte, sem escolher idade, sexo ou condição social, e afeta a vida de todos os gaúchos. A reportagem revelou que a droga deixou a periferia das cidades gaúchas para fazer vítimas entre as famílias de classe mais elevada. O crack chegou à elite.
A explosão da droga no Estado se deu nos últimos dois anos, produzindo assombro entre autoridades policiais, profissionais de saúde e familiares de viciados. De 20 quilos de crack apreendidos pelas forças de segurança em 2005 saltou-se, em 2007, para uma quantidade seis vezes maior.

Em 2006, pela primeira vez na História, a quantidade de crack encontrada com traficantes superou a de cocaína. Agora, já é três vezes maior. Neste ano, se o ritmo do primeiro quadrimestre não se tornar ainda mais acelerado, serão 200 quilos da pedra apreendidos, 10 vezes mais do que três anos atrás.

O impacto sobre a violência é avassalador. Uma onda de homicídios está associada ao tráfico nas periferias, e não há dependente de crack sem relatos de brutalidade e morte de amigos a fazer.

A delinqüência juvenil tornou-se indissociável do vício. Um levantamento realizado para Zero Hora pelo Departamento Estadual da Criança e do Adolescente (Deca) revelou que, neste ano, 55% dos garotos envolvidos em ocorrências relacionadas a drogas estavam sob o efeito de crack. Em 2005, o índice não chegava a 2%. A polícia não encontra forças para reagir.

A enxurrada de usuários em surto que tomou clínicas e hospitais de forma repentina é outra demonstração do que está ocorrendo nas ruas e nos lares do Estado. Raros no começo da década, os usuários de crack já são mais da metade dos internados no setor de Dependência Química do Hospital Psiquiátrico São Pedro, da Capital.

O índice atinge 90% na ala para adolescentes. No Centro Terapêutico São Francisco, mantido pela Igreja Católica em Lajeado, o percentual dos que chegam por causa do crack pulou, em apenas três anos, de 10% para 72% — e não pára de subir. Diante dessa realidade, a Secretaria Estadual da Saúde é taxativa: define a situação como epidêmica. A estimativa oficial é de 30 mil dependentes.

Tanto estrago se explica pela virulência ímpar da droga. Jacintho Saint Pastous Godoy, diretor da Clínica São José, da Capital, diz desconhecer caso de quem tenha experimentado sem tornar-se viciado.

Forma menos pura da cocaína, o crack tem um poder infinitamente maior de gerar dependência, pois a fumaça chega ao cérebro com velocidade e potência extremas. Ao prazer intenso e efêmero, segue-se a urgência da repetição.

O baixo custo da pedra — em torno de R$ 5 — revela-se ilusório em um átimo. Empurrado para o precipício da fissura, o dependente precisa fumar 20, 30 vezes por dia. Desfaz-se de todos os bens, furta de familiares e amigos e, por fim, começa a cometer crimes.

— Sinto que sou capaz de fazer qualquer coisa para conseguir R$ 10 e comprar crack, até matar uma pessoa. Quero parar e estou me esforçando, mas só de falar na pedra já fico com uma vontade louca de usar — admite uma adolescente de 17 anos, moradora de Charqueadas, que assaltava para bancar o vício e agora tenta a recuperação em uma clínica.

Apesar do desejo de vencer o crack, a experiência dos profissionais de saúde é de que as chances estão contra a garota. Clínicas, hospitais e centros terapêuticos gaúchos soterrados por uma avalanche de casos como o dela nos últimos dois anos testemunharam poucos exemplos de recuperação, conforme atesta Sergio de Paula Ramos, especialista no tratamento de dependentes químicos:

— Não gostam que eu diga isso, mas até agora meu índice de recuperação de pacientes de crack é zero. É preciso fazer algo para que não ocorra o uso da droga, porque, depois que acontece, conseguir algum resultado é muito, muito difícil.

Fonte: Itamar Melo e Patrícia Rocha  |  itamar.melo@zerohora.com.br patricia.rocha@zerohora.com.br

Quarta-feira, 13 de Maio de 2009

RS: descoberta toca de 10 mi de anos feita por tatu gigante

Francisco Buchmann, professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no campus do Litoral Paulista em São Vicente (SP), descobriu mais de 60 túneis escavados por tatus gigantes que viveram na América do Sul entre cerca de 10 milhões e 10 mil anos atrás aproximadamente. 

Segundo a Unesp, esses túneis podem revelar o comportamento desses animais e o ambiente em que viviam. A maior concentração de túneis foi descoberta em outubro de 2008, no município de Novo Hamburgo (RS). O estudo foi apresentado na 24ª Jornada Argentina de Paleontologia de Vertebrados, em Mendoza, no dia 6 de maio. Geralmente, esses túneis são encontrados totalmente preenchidos pela lama de enxurradas de chuva sedimentada ao longo de milhares de anos e recebem o nome de crotovinas.

Buchmann e seus colaboradores - o geólogo Heinrich Frank e os doutorandos Filipe Caron e Leonardo Lima, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, mais a paleontóloga Ana Maria Ribeiro e o mestrando Renato Pereira Lopes, da Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul - são os primeiros a encontrarem no Brasil os túneis desobstruídos e com marcas das garras e da carapaça do animal que os escavou.

Com as chamadas paleotocas, os pesquisadores podem descobrir o que não dá para saber analisando apenas os ossos fossilizados. "A paleotoca permite estudar quais eram os hábitos dos tatus gigantes" explica Buchmann. A maioria das paleotocas e crotovinas foi encontrada à beira de rodovias, em várias cidades no leste de Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Os pesquisadores acreditam que o tatu gigante escolhia ficar perto de um rio, mas escavava em um local alto para não correr o risco de sua toca inundar. Buchmann explora as paleotocas usando vários equipamentos, incluindo uma máscara para não respirar fungos.

Às vezes a circulação de ar não é suficiente e é preciso levar oxigênio. "Tem de ter uma certa boa vontade para explorá-las. A paleotoca tem um formato cilíndrico e contínuo que se estende por dezenas de metros", ele descreve. "A toca do tatu atual tem de 10 cm a 50 cm de diâmetro, enquanto uma paleotoca de tatu gigante tem cerca de 1,5 m e 2 m de diâmetro; às vezes é muito fácil de entrar".

De acordo com o pesquisador, os tatus gigantes começaram a evoluir há 60 milhões de anos para ocupar o vazio deixado pela extinção dos dinossauros, sendo ele mesmo totalmente desaparecido devido a mudanças climáticas, há seis mil anos atrás. "O índio brasileiro conviveu com esses tatus gigantes", diz. 

Buchmann e seus colegas vêm discutindo que espécie de tatu extinto escavou todas essas tocas no sul do Brasil. Até agora, as evidências sugerem que o escavador foi um tatu dos gêneros extintos Propraopus ou Eutatus.

Fonte: Terra

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