Desgarrados, a margem da sociedade

Semana passada o vento Minuano soprou forte, gelando almas e ossos dos gaúchos. Somente quem já teve contato com este vento andino sabe o quanto ele é cruel. Estava passando perto da entrada do cais do porto de nossa briosa capitalquando para proteger-me entrei em uma lancheria, tomando um belo e quente café

Vento Minuano obriga todos a ser curvarem
Depois de algum tempo, uma adolescente pobremente vestida, vinda da rua,  pediu para as atendentes da lancheria para ocupar o banheiro.

Após a sua saida, uma deles comentou : porque estás só de chinelo neste frio? Rápida como o minuano, a guria respondeu : porque não tenho outro calçado. 

Estava ali uma filha de "desgarrados" muito bem cantada na música de Mário Barbará / Sérgio Napp , um pedaço da letra é mais do suficiente para entender os desgarrados :

Eles se encontram no cais do porto pelas calçadas
Fazem biscates pelos mercados, pelas esquinas,
Carregam lixo, vendem revistas, juntam baganas
E são pingentes das avenidas da capital
Eles se escondem pelos botecos entre cortiços
E pra esquecerem contam bravatas, velhas histórias
E então são tragos, muitos estragos, por toda a noite
Olhos abertos, o longe é perto, o que vale é o sonho


E quase um ano atrás, também escrevi sobre o assunto no meu artigo Os desgarrados por aí, quem se importa ?

Realmente os desgarrados não são privilégios de Porto Alegre, afinal eles se encontram por ai em qualquer canto de cidade, se escondem em botecos ou cortiços...

2 comentários:

  1. Nem fale amigo, pensar que muitas pessoas sentem frio, fome, não tem onde dormir, um banho para tomar... é tão triste...

    Quanto ao tempo, hoje mudou aqui no Rio, ficou mais frio e feio.

    Beijos

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  2. Sobre o Dia dos Pais:
    Somos felizes porque guardamos isso conosco, tem gente que nunca os conheceu. E outros, puxa, sofreram maus tratos. Temos sorte.

    Um Feliz Dia dos Pais para voce, meu amigo.

    Bjs

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