Augusto dos Anjos, o poeta inclassificavel

Gosto de poetas inusitados, alguns incompreendidos, outros "malditos". Um desses é Augusto dos Anjos, identificado muitas vezes como simbolista ou parnasiano. Todavia, muitos críticos, como o poeta Ferreira Gullar, preferem identificá-lo como pré-modernista, pois encontramos características nitidamente expressionistas em seus poemas. É conhecido como um dos poetas mais críticos do seu tempo, e até hoje sua obra é admirada tanto por leigos como por críticos literários

Seu contato com a leitura, influenciaria muito na construção de sua dialética poética e visão de mundo.

Com a obra de Herbert Spencer, teria aprendido a incapacidade de se conhecer a essência das coisas e compreendido a evolução da natureza e da humanidade. De Ernst Haeckel, teria absorvido o conceito da monera como princípio da vida, e de que a morte e a vida são um puro fato químico. Arthur Schopenhauer o teria inspirado a perceber que o aniquilamento da vontade própria seria a única saída para o ser humano. E da Bíblia Sagrada ao qual, também, não contestava sua essência espiritualística, usando-a para contrapor, de forma poeticamente agressiva, os pensamentos remanescentes, em principal os ideais iluministas/materialistas que, endeusando-se, se emergiam na sua época.

Essa filosofia, fora do contexto europeu em que nascera, para Augusto dos Anjos seria a demonstração da realidade que via ao seu redor, com a crise de um modo de produção pré-materialista, proprietários falindo e ex-escravos na miséria. O mundo seria representado por ele, então, como repleto dessa tragédia, cada ser vivenciando-a no nascimento e na morte.

Deixo-os aqui com o poema (em vídeo)  O Morcego 



Comentários

  1. Grande Geraldo, criando mais um blog, ta certo, o negócio é seccionar ...

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  2. Que Post Fantástico!
    Amigo Geraldo:
    Mais um hiper Post que você nos presenteia... de quando em quando eu leio alguma coisa do consagrado poeta augusto do anjos, e último, foi “Psicologia de Um Vencido”.
    Parabéns por mais um excelente Post!
    Abraços,
    LISON.

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